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Alicia Keys
Houve quem a quisesse moldar à imagem de uma Mariah Carey ou de uma Whitney Houston. Na sua editora houve quem pensasse que devido à sua tenra idade ia ser fácil construir mais um protótipo de "cantora para as massas". Alicia Keys bateu com a porta da Columbia, e mudou-se de malas e bagagens para a J Records, onde foi recebida de braços abertos por Clive Davis, que assegurou o lançamento do seu álbum de estreia, "Songs In A Minor".

Alicia Augello Cook é natural de Manhattan, nos EUA, onde nasceu em 1981. Assistiu à separação dos pais quando tinha dois anos, e a partir daí ficou entregue aos cuidados da mãe, que sempre lhe incentivou o gosto pela música. Alicia vivia em Manhattan, mas era no Harlem que se sentia em casa, pelo que sempre que podia era lá que a encontravam. Foi lá que aprendeu a pensar depressa, a desenrascar-se em situações complicadas e, sobretudo, a desenrascar-se sozinha. Foi lá que conheceu Marvin Gaye e Biggie Smalls, que por sua vez lhe abriram as portas para o contacto com muitos outros artistas que viriam a revelar um papel fulgurante no seu futuro, caso de Curtis Mayfield, Nina Simone, Miles Davis, Jimi Hendrix, Prince, Rakim.

A primeira canção escreveu-a aos catorze anos, depois da morte do avô, com quem tinha uma ligação muito forte. Chamou-lhe "I'm All Alone". Nessa altura, já Alicia declarara há muito, e a céu aberto, a sua forte paixão pela música. Diz a própria que mesmo antes de saber escrever já utilizava a música dos outros para dizer o que sentia.

A sorte de ter descoberto tão cedo aquilo para que nascera fê-la trabalhar desde sempre na conquista do seu objectivo principal: a música. Teve formação clássica de piano dos seis aos dezoito anos, e apesar de ser grande fã de Chopin, a certa altura sentiu que a música clássica não era suficiente para se expressar.

Conheceu o manager Jeff Robinson quando tinha quinze anos e trabalhou com ele durante cinco anos. O irmão de Robinson chegou a dar-lhe aulas de canto no Harlem, e desde o início ficou impressionado com a alma que a cantora depositava nas canções. Teve a confirmação de que no futuro de Alicia havia pano para mangas para ser aproveitado quando a colocou a cantar ao piano. Seis meses depois a cantora estava a cantar na presença de uma série de executivos de multinacionais, que não tentaram sequer esconder o entusiasmo. A Columbia Records ganhou a batalha.

No entanto, as coisas não correram pelo melhor. Os problemas começaram logo desde o início durante o processo de gravações, até que Alicia, na altura com dezasseis anos, decidiu ser ela própria a escrever as suas canções e a produzi-las, uma tarefa que aprendeu através da observação do trabalho dos profissionais em acção. Um ano depois, Alicia comprava um apartamento no Harlem, onde montou um estúdio. Foi lá que trabalhou na maioria das canções que viriam a dar forma a "Songs In A Minor".

Alterações no interior administrativo da Columbia trouxeram algumas incompatibilidades criativas entre Alicia e a editora. O álbum estava praticamente terminado e a cantora não estava disposta a voltar atrás. Uma chamada de Clive Davis (o mesmo que descobriu Bruce Springsteen, Patti Smith e Whitney Houston) salvou a situação e a cantora aterrou na J Records. Davis apostou em Alicia, e foi inclusivamente o próprio que levou o teledisco do single "Fallin'" às instalações da MTV.

Na primeira semana em que foi lançado, o álbum de estreia de Alicia Keys vendeu 236 mil cópias. Na segunda semana, com a ajuda dos média, as discotecas pediram mais uma mão cheia de 450 mil cópias para repor o stock. Ainda assim, a cantora continua a gostar de nadar, de dormir (que encara como uma forma de meditação), não deixou de actualizar o seu diário regularmente, e reza três a quatro vezes por dia. Entrou em 2001 na casa dos 20 anos, mas carrega já um peso sobre os ombros de outros tantos... no entanto parece nem dar por isso porque gosta do que faz.

"Songs in A Minor" faz com que Keys leve para casa cinco prémios na cerimónia de entrega dos Prémios Grammy de 2002, incluindo Artista Revelação e Canção do Ano para 'Fallin'. Nesse mesmo ano lança "Remixed & Unplugged in A-Minor", uma reedição do registo com mais oito remisturas e sete temas tocados em formato unplugged. Compõe também a canção 'Impossible' editada no álbum "Stripped" de Christina Aguilera.

O segundo disco chega em 2003 e intitula-se "The Diary of Alicia Keys". Rapidamente se torna o sexto mais vendido de sempre por uma mulher e o segundo dentro do R&B no feminino. O segundo single 'If I Ain't Got You' é também o primeiro composto por uma artista feminina a ficar no top da Billboard dedicado ao Hip Hop e ao R&B durante mais de um ano.

Em 2004 canta com Lenny Kravitz e Stevie Wonder uma versão de 'Higher Ground' de Wonder nos Prémios da MTV e um ano depois partilha o palco dos Prémios Grammy com Jamie Foxx e Quincy Jones, para interpretar 'Georgia on My Mind', o clássico de Hoagy Carmichael popularizado por Ray Charles. Nessa mesma cerimónia Keys vence quatro prémios, incluindo Melhor Álbum de R&B para "The Diary of Alicia Keys" e Melhor Canção de R&B por 'You Don't Know My Name'.

Em 2005 grava o seu "MTV Unplugged" onde conta com a participação de Mos Def, Adam Levine dos Maroon 5 e Damien Marley, entre outros. Entre os dois inéditos que apresenta no concerto está 'Unbreakable', que vem a ser o single de avanço para o registo editado em Outubro.

Entretanto, em 2007, Keys estreia-se no cinema com o filme "Smokin' Aces", no qual interpreta uma assassina profissional junto a Ben Affleck e Ray Liotta. Segue-se "The Nanny Diaries", onde a cantora faz de melhor amiga da personagem interpretada por Scarlett Johansson.
No mesmo ano é lançado o terceiro disco de estúdio de Alicia Keys, intitulado "As I Am".

O quinto álbum de Alicia (quarto de estúdio) sai no final de 2009. O álbum inclui o tema 'Empire State of Mind (Part II) Broken Down'. "Empire State of Mind" chegou à liderança do Hot 100 da Billboard. Deste álbum saíram ainda os singles 'Doesn't Mean Anything', 'Try Sleeping with a Broken Heart' e 'Un-Thinkable (I'm Ready)' em parceria com o cantor Drake.

Em 2009, faz ainda uma colaboração com o cantor espanhol Alejandro Sanz em 'Looking for Paradise'. A canção foi o primeiro single extraído do oitavo álbum de Sanz, "Paraíso Express".

Em Junho de 2011, "Songs in A Minor" é relançado numa edição de luxo de comemoração do décimo aniversário do lançamento do disco. Keys faz uma mini-digressão promocional intitulada Piano & I: A One Night Only Event With Alicia Keys, acompanhada apenas pelo seu piano.

Em 2012, Alicia Keys lança o seu quinto álbum, "Girl on Fire".


Maria João Serra
Fotografias
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